Livro retrata iniciativas inovadoras de ensino nos cinco continentes

Livro retrata iniciativas inovadoras de ensino nos cinco continentes

“Coordenadora, a senhora não vai perguntar o crime que cometi?”, questionam os jovens. “Não, porque agora você começa uma nova página na sua vida”, é a resposta. Este belo diálogo aconteceu em uma sala de aula no Campo Limpo, zona sul de São Paulo. A personagem: a coordenadora pedagógica do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA), Êda Luiz.

Além da história de confiança e renascimento destes paulistanos, outras 12 histórias de iniciativas inovadoras de ensino e cidadania compõem o livro “Volta ao mundo em 13 escolas”,   publicado pelo Coletivo Educ-Ação. O projeto percorreu, em pouco mais de um ano, nove países nos cinco continentes, sempre em busca de ações transformadoras de aprendizagem e ensino.

De acordo com o pesquisador Eduardo Shimahara, um dos quatro idealizadores da ação,  o interesse surgiu da inquietação e curiosidade dos envolvidos sobre a aplicação de sistemas de ensino diferentes ao redor do mundo.”Líamos muito a respeito, ouvíamos falar de outras metodologias e escolas pelo mundo, mas queríamos ir visitar pessoalmente. A ideia de percorrer estes lugares pessoalmente e criar um livro se confirmou quando não encontrávamos nada parecido com isso”, afirmou ele.

 

Educação nos cinco continentes

Nas aula na escola do CPCD de Minas Gerais, s alunos aprendem a leitura e a escrita através de atividades lúdicas (foto: divulgação / CPCD)

Nas aula na centro do CPCD de Minas Gerais, os alunos aprendem a leitura e a escrita através de atividades lúdicas (foto: divulgação / CPCD)

Além de Shimahara, a empresária Carla Mayumi, a psicóloga Camila Piza e o jornalista André Gravatá foram os responsáveis por esta verdadeira epopéia do saber. Divididos em equipes, eles visitaram Argentina, Estados Unidos, África do Sul, Suécia, Inglaterra, Espanha, Indonésia e Índia. No Brasil, foram escolhidas quatro instituições, sendo três delas em São Paulo e uma em Minas Gerais.

“Nós quatro praticamente nos dividimos por continentes e viajamos separados. A única escola a receber dois de nós simultaneamente foi a Green School, em Bali, que estava entre nossas maiores curiosidades. Viver e ver ao vivo a experiência destes locais foi muito inspirador para todos e o aprendizado foi enorme”, falou o pesquisador.

Esta diversidade, aliás, não só foi um dos focos do livro como também o serviu como base de elaboração: cerca de 300 pessoas envolvidas em distintos projetos foram entrevistadas, entre  pais, alunos, ex-alunos, professores e responsáveis pelas instituições.

Cada um dos envolvidos lançou seu olhar particular sobre  esta intensa busca por um modelo de ensino que se adapte aos alunos e ao que a comunidade local necessita.

Estudar somente o que quiser

Entre os projetos, um chama a atenção pela estratégia pouco ortodoxa na jornada de ensino. Chamado de desescolarização, o método consiste em dar total autonomia sobre os estudos ao aluno, que pode entrar e sair a qualquer horário e aprender somente o que deseja.

Criada pelo centro educacional North Star, nos Estados Unidos, a ação não oferece ao aluno um certificado de formação tradicional, mas permite que ele faça um exame, de acordo com a legislação local, que possibilita o ingresso no ensino superior.

Recebendo crianças de 12 a 18 anos, o centro de aprendizagem não realiza divisão por idade ou turmas, propiciando o intercâmbio e a convivência entre os jovens.

Crowdfounding e patrocínio

Na Green School, em Bali, na Indonésia, não há paredes nas salas de aula (foto: divulgação / Green School)

Feita em bambu, a Green School, em Bali, na Indonésia, tem aula ao ar livre (foto: divulgação / Green School)

Para financiar a empreitada, o grupo participou de uma ação de crowdfunding, onde conseguiu o montante de R$ 56 mil reais, com doações de 566 pessoas. A Fundação Telefônica também patrocina o projeto, que não tem fins lucrativos.

Lançada recentemente, a obra tem duas versões: uma online e outra impressa, exclusiva para os apoiadores da ação de financiamento coletivo. Ambas serão gratuitas e todo o material já está disponível para download, através de Creative Commons, para que qualquer pessoa possa copiar o conteúdo e espalhá-lo pelo mundo.

Mesmo com o projeto pronto e publicado, a jornada de conhecimento feita pelo coletivo está só no começo. Afinal, há muitos caminhos inexplorados nesta imensa gama de possibilidades que é o saber. “Eu acredito que o sistema em escala e massificado de educação que vivemos vai continuar existindo. Ele funciona, mas não para todos. O que começaremos a ver cada vez mais serão diferentes opções e diferentes formatos que acolherão pessoas interessadas em outras formas de aprender”, completou Shimahara.

 

Foto de capa: divulgação / Green School Indonesia

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