Brasileiríssimo, cobogó volta com tudo e traz um toque retrô e chique ao lar

Brasileiríssimo, cobogó volta com tudo e traz um toque retrô e chique ao lar

Foi em Pernambuco, na década de 1920, que se ouviu falar pela primeira vez dos cobogós. Seus três criadores, Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis, sócios em uma fábrica de tijolos,  tentavam conceber um produto para aplacar as altas temperaturas nordestinas. Assim, criaram elementos vazados de concreto, que permitiam a circulação de ar e luz.

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No projeto, assinado pelos escritórios MMBB e HF, ambos da capital paulista, usaram-se cobogós de concreto pintados em tinta acrílica branca. Eles organizam as áreas de circulação e acesso aos consultórios da Unidade Básica de Saúde, no Jardim Edith, em São Paulo, SP. Os elementos são da linha design, da Neorex #61, e foram projetados pelo arquiteto Cícero Ferraz.

O nome cobogó deriva da junção das primeiras sílabas dos sobrenomes dos autores. O elemento ganhou prestígio nos anos 1950, principalmente por ser utilizado nos projetos de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, em Brasília. Passou por um tempo esquecido até voltar com força total, em diferentes materiais, agregando ares contemporâneos com uma pitada retrô à casa.

Características

O cobogó é um elemento versátil, que pode ser usado no interior, dividindo ambientes, por exemplo; ou, em fachadas. Crédito: Divulgação / Pinterest

O cobogó é um elemento versátil, que pode ser usado no interior, dividindo ambientes, por exemplo; ou, em fachadas. Crédito: Divulgação / Pinterest

Além do concreto, há os feitos em cerâmica, vidro, resina, gesso e mármore, por exemplo. As formas são diversificadas e vão das florais às geométricas às totalmente customizadas. Quanto à funcionalidade, uma das principais características é permitir a criação de barreiras visuais – sem impedir, no entanto, a passagem de iluminação e ventilação.

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Foto do interior da Casa Cobogó, de Márcio Kogan. O sol se projeta no piso interno criando efeitos de luz e sombra, que se multiplicam pelo ambiente. Crédito: Divulgação

“Eles favorecem o conforto interno da construção e possibilitam cenas e situações diferenciadas”, conta o arquiteto Gabriel Magalhães, com escritório em Salvador, BA. Segundo ele, o bacana dos cobogós é trazer uma proposta descontraída e, ainda, proporcionar privacidade. “O efeito de sombra e luz gerados são bem interessantes e podem ser o diferencial do ambiente”, diz Magalhães.

Em apartamentos

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À esquerda, os cobogós brancos dividem os ambientes permitindo a passagem de luz. À direita, foto do projeto assinado pelos arquitetos Gabriel Magalhães e Luiz Cláudio Souza, de Salvador, BA. Os cobogós permitem a entrada da luz e bloqueiam a escada para as crianças. Foram feitos em concreto aparente e executados na obra. Crédito: Divulgação

Eles podem ser usados como divisórias de ambientes (salas e cozinhas), como detalhes em quartos e até mesmo em fachadas, quando a estrutura do prédio permitir.

“Há ainda a possibilidade de conceber seu próprio modelo. Para isso, basta desenhar uma forma e replicá-la na própria obra”, explica Magalhães. Os arquitetos adotaram essa técnica em um projeto localizado no Alto de Pinheiros, em São Paulo, para ajudar na iluminação e na segurança.  “O resultado é surpreendente, além de totalmente exclusivo”, aponta o arquiteto.

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