A renovação urbanística e social de Medellín

A renovação urbanística e social de Medellín

Em nove anos, a cidade colombiana de Medellín renasceu das cinzas. Antes marcada por violência, segregação e falta de conexão entre seus habitantes, a cidade, que ganhou fama como lar do narcotraficante Pablo Escobar, conseguiu reverter positivamente todos os indicadores de desenvolvimento humano em menos de uma década.

A enorme transformação se deu graças a um projeto urbanístico de vanguarda, conhecido como Projeto Urbano Integral (UPI), que privilegia o desenvolvimento social, priorizando os setores da cidade com maiores necessidades. Em Medellín, questões como integração, mobilidade, governança, redução de crimes e pobreza fazem parte de um mesmo plano diretor.

Antes abandonado, o Jardín Botánico Joaquín Antonio Uribe é um dos símbolos da renovação urbana da cidade (foto: Carlos Vidal / divulgação Prefeitura de Medelin)

Antes abandonado, o Jardín Botánico Joaquín Antonio Uribe é um dos símbolos da renovação urbana da cidade (foto: Carlos Vidal / divulgação Prefeitura de Medellín)

O pontapé inicial para esta mudança foi desenvolver alternativas sustentáveis para a mobilidade dos cidadãos.

Hoje, o sistema de transporte urbano de Medellín permite chegar a qualquer ponto da cidade rapidamente. Até mesmo áreas isoladas e mais pobres já dispõem de meios rápidos de locomoção  para o centro. Quando não há um ponto de ônibus próximos, três teleféricos (Metrocables) e duas linhas de metrô ficam responsáveis pela integração.

Com metrô, ônibus e teleférico, a rede de transporte de Medelín consegue ligar todos os pontos da cidade (fotos: Andrea González, Juan Fernando Gallego Duque e Carlos Vidal / Prefeitura de Medelín – divulgação Prefeitura de Medelin)

Com metrô, ônibus e teleférico, a rede de transporte de Medellín consegue ligar todos os pontos da cidade (fotos: Andrea González, Juan Fernando Gallego Duque e Carlos Vidal / Prefeitura de Medellín – divulgação Prefeitura de Medellín)

Além disso, as regiões carentes receberam investimentos pesados em infraestrutura. Dessa forma, hoje elas dispõem de ruas iluminadas, calçadas acessíveis, espaços de convivência, parques, centros de serviços para o cidadão, bibliotecas e segurança. Em razão disso, moradores de bairros antes distanciados por fatores econômicos e sociais passaram a conviver de maneira integrada, compartilhando algo muito raro nas grandes cidades, o direito de transitar em paz no espaço público.

Os turistas, antes raros, voltaram a aparecer em Medellín. A maioria deles chega ansiosa para ver com os próprios olhos o imenso laboratório de experiências de renovação urbana que a cidade se tornou. O principal roteiro de muitos destes passeios é justamente a visitação das “novas” favelas.

Através de medidas socioeducativas, a Prefeitura de Medelín conseguiu recuperar áreas carentes por toda a cidade (foto: Carlos Vidal / divulgação Prefeitura de Medelín)

Através de medidas socioeducativas, a Prefeitura de Medellín conseguiu recuperar áreas carentes por toda a cidade (foto: Carlos Vidal / divulgação Prefeitura de Medellín)

Se há alguém que possa se vangloriar de tal mudança em uma das cidades mais violentas do mundo, esta pessoa é o arquiteto Alejandro Echeverri, que entre 2004 e 2008 tocou o projeto enquanto esteve na função de secretário de Desenvolvimento Urbano de Medellín.

O resultado de sua gestão, unido aos esforços da população local, que também apoiou o plano, foi uma drástica redução da violência e a revalorização de áreas antes esquecidas. E para coroar tal mudança, o Urban Land Institute reconheceu Medellín como a cidade mais inovadora do mundo em 2013.

A retomada do espaço público pela população local está entre as metas do ambicioso plano UPI de Medelín (foto: Carlos Vidal / divulgação Prefeitura de Medelín)

A retomada do espaço público pela população local está entre as metas do ambicioso UPI de Medellín (foto: Carlos Vidal / divulgação Prefeitura de Medellín)

Ainda há violência? Infelizmente, a resposta é afirmativa. Porém, estatísticas anuais provam que ela segue em queda franca, o que indica um horizonte muito bom para a próxima década. Cidades brasileiras como o Rio de Janeiro buscam alternativas semelhantes.

 

 

Foto de capa:  Subsecretaria de Turismo de Medellín / divulgação

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